Chato? Quem?

Vírgulas, em meus escritos, só as coloco quando o ouvido pede. Estudei pouco esse troço que no meu tempo de ginásio chamavam de Análise Lógica. Isto me condenou, para o resto da vida, a mal apartar orações. Vacas, no curral da fazenda onde fui criado, eu apartava direito. Orações, precariamente. Para quem é da cidade, vou logo avisando que “apartar vaca” é separá-la do bezerro. Se não separar o bichinho morre de diarreia e mamãe-vaca não terá leite para as crianças, no dia seguinte.

Quando, acima, digo “ginásio”, a referência é ao que, hoje, denominam Estudo Fundamental. Ou seja, os quatro anos do antigo Ginasial, mais os três anos do Científico ou do Clássico.

Aliás, confesso que nunca entendi bem esse trem de “Ensino Fundamental”. Foi uma professora famosa, porém muito mais nova, de Niterói – Niterói, não, minto, de Itacoatiara (o desmembramento em Município é uma questão de tempo) – que me explicou tudinho.

Ao confessar, humildemente, que virgulo “de ouvido”, faço-o com o singular do órgão auditivo – não sei se perceberam – e já me apresto a explicar a impropriedade sintática, sabido, como ninguém ignora, que temos dois ouvidos, o que, no caso, tornaria cogente o plural, sob pena de arbitrária exclusão de um deles. Clarifico que meu singular se prende à quase inoperância de uma das minhas aurículas, a esquerda, por Deus girada ao off.

Não blasfemo nem invoco meu santo de modo vão ao asseverar intervenção divina em minha perda, parcial, da audição. Foram muitas as orações que fiz pelo silenciamento de um malsinado zumbido que, night and day, day and night, (Helô, Frank!) me abelhava a orelha esquerda. Desafortunadamente, fui atendido em minhas esperançosas súplicas ao alto, livrando-me do zumbido, mas – Homessa! – com ele ausentou-se também minha audição à sinistra.

Ignorava-as codependentes…

Aliás, no terreno das impingens da idade – a tempo corrijo-me − dos “achaques” da idade, o que sobremodo me atormenta hoje é o joelho. Um joelho? Não apenas  – desnecessário adstringir-me – são os dois joelhos. Só que o direito revela-se bem mais zangado que o esquerdo.

Zanga que insiste, muito a despeito de eu já haver operado meniscos, se não me engano, no ano de 1995 ou 96. Para ser exato, se não foi no segundo semestre de 95, certamente terá sido no primeiro, de 96. Por despicienda que pareça a informação, menciono-a com margem de segurança confortável, eis que, não me esqueço, choveu a cântaros no dia em que me dirigia ao Hospital da Quinta da Boa Vista, no Rio. A Praça da Bandeira, como sempre, alagada!

Imaginem, já era assim no meu tempo de estudante, quando fazia refeições no SAPS, no final da Presidente Vargas. Os carros boiavam.

Despreocupando-me, entretanto, de ilações importunas, insisto em que minha cirurgia de menisco terá ocorrido em janeiro, fevereiro ou março de 96, meses de verão chuvoso no hemisfério sul. Meu Deus, como chovia naquela manhã em que me dirigia ao ato cirúrgico! Ato, aliás, circunscrito a um simples procedimento endoscópico, pouquíssimo invasivo.

Janeiro ou Fevereiro seriam, assim, as duas hipóteses mais prováveis de incidência da indigitada cirurgia, pois o verão pega não mais que dez dias de dezembro, do ano anterior, o que, estatisticamente, na prática, excluiria aquele mês.

Também é verdade que, indo o verão e suas chuvas copiosas, tão bem lembradas por Tom Jobim, na canção “Águas de Março”, indo, repito, até 21 de março, não deixa de ser possível ter-se dado a cirurgia também em março de 96. Dissuade-me, entretanto, admitir tal hipótese a comemoração de meu natalício, exatamente a 31 do indigitado mês, data  –  diga-se en passant  −  coincidente com o Golpe Militar de 1964 (lembro-me que cheguei a ser revistado, na Serra de Petrópolis, pelas tropas do General Mourão Filho. Topei com eles descendo a serra, em fila indiana, naquela noite histórica, noite mesma em que me dirigia a Minas Gerais para encontrar minha noiva, minha atual senhora) sendo de todo improvável que marcasse uma cirurgia para a véspera de minha data natalícia.

Ah, sim, ao dizer, de início, qualquer coisa sobre noções sintáticas, lembro-me ter mencionado certa operação, que fiz, de menisco. Não me acode se disse ter sido no joelho direito. Mas foi. O que me escapa é o nome do médico cirurgião. Lembro-me, sim, da anestesista. Moça morena, bonitinha. Não diria simpática porque me pareceu pouco comunicativa, muito compenetrada no que fazia.

A atitude dela até me deu certa tranquilidade, já que consta como o grande perigo em qualquer cirurgia, segundo dizem, o chamado choque anafilático. Que é quando o organismo reage ao anestésico. Pode levar a óbito.

Minha cunhada tem um genro – retifico, aliás, em tempo:  o moço é cunhado dela, pelo lado do ex-marido − que é alérgico a vários princípios ativos. Anda, sempre, com comprimidos de Allegra no bolso e um bilhete bem legível, na carteira, com a rogativa: “Em caso de desfalecimento ou convulsão, ministrem-me Allegra”.

Felizmente, segundo ele mesmo confessa, nunca desfaleceu ou sofreu convulsão. Apenas leu, numa bula, que alergias severas podem levar a pessoa a convulsões. Ignora – disse-me numa das subidas que fizemos à Pedra da Gávea − se a alergia dele é severa, mas, por via das dúvidas, julga melhor prevenir-se.

Curiosamente, dizem que Machado de Assis sofria convulsões. Era epiléptico, doença hereditária que, inclusive, ele, Machado, teria transmitido ao filho de outro grande romancista, confrade seu na Academia.

Por falar nisto, não me ocorre agora o ano em que a estátua de Machado de Assis, sentado numa poltrona, foi removida da frente do Petit Trianon, na Av. Presidente Wilson, para o saguão do novo prédio da Academia, um edifício de mais de quinze andares. Portentoso, aquele prédio, para quem o contempla de longe!

Pra entrar nele tem que saber colocar vírgula.

Zé do Carmo

34 ideias sobre “Chato? Quem?

  1. Como chato, J. Carmo? Você é engraçadíssimo, isso sim.

    Em vez de acabarem com o pobre do trema, poderiam tê-lo feito com as vírgulas e as crases…. Se bem que sem a vírgula o entendimento vai pro espaço.
    José, eu chamo de chato-parênteses o tipo que vai encompridando a conversa com adendos e penduricalhos dispensáveis. Falando, eles gesticulam o tempo todo com sinal de aspas, T de tempo… Dose pra leão.

    Ótima crônica. E a campanha “Opera, Zé!”, a quantas anda? Desculpe a intimidade….rsrs…

  2. Discordo, democraticamente, da Matilde. A vírgula é fundamental.

    Discrepo, do Zé do Carmo. Tem gente no Petit Trianon que mal sabe escrever.

    Concordo com a Matilde.O gesto das aspas é ridículo. E por que o gesto de imitar o telefone, quando narram uma conversa telefônica?

    Concordo com o Zé do Carmo. Vírgula, como música, pode-se tocar de ouvido.

    Joelho é fogo!

  3. Discordo do discordo, SáeBenevides.
    Disse eu: –Se bem que sem a vírgula o entendimento vai pro espaço.

    Ora se não tem gente ferroando a língua portuguesa como um marimbondo de fogo…

  4. Zé, vou resumir para não virar comentário-tratado:

    1. Vírgulas são fundamentais e eu uso e abuso delas. Só vez ou outra eu disparo a falar sem vírgulas para imprimir um “estilo pessoal” quando o escrito implora…rs…;

    2. Zumbido: há 15 anos tenho um avião taxiando na cabeça, fruto de trauma acústico. É o INFERNO em vida, Zé, principalmente porque perdi o que mais amava: o silêncio. Imagine, gente, ouvir um avião taxiando na cabeça O TEMPO INTEIRO E SEM TRÉGUAS! E o pior é que não tem cura. Eu convivo bem com isso, na medida do possível, porque sou pessoa resignada prá essas coisas. Não me descabelo, mas, fácil não é;

    3. Seus textos são cômico-jurídicos. ADORO os seus textos, Zé. Adoro “choveu a cântaros”. Adoro essa expressão;

    4. Médicos, hospitais, cirurgias, exames e morte, para mim, são sinônimos. Quando tenho de me submeter a eles vou com a CERTEZA da “sucumbência”…hahahaha…eu queria dar apenas um sentido ao “sucumbência”, mas, agora vi que posso TRANQUILAMENTE dar os dois sentidos…hahahaha…as palavras são potros bravos mesmo, ne?…rs…vês que elas correm no descampado? rs…

    5. SáeBenevides, como sempre, tem razão: no Petit Trianon há uns pouco-letrados..rs…

    6. Opera, Zé. De dor já basta a vida.

    7. É o Parecer (hehe).

  5. Zé do Carmo, seu texto é ótimo e muito engraçado, como sempre. Eu acho que a presença ou ausência de uma vírgula em uma frase muda totalmente o seu sentido.
    Abraçaço.

  6. Concordo com o SáeBenevides, com o adendo da discordância da discordância da Matilde: vírgula é fundamental.

    Subscrevo, in totum, o parecer da Soph.

    O problema com a vírgula é que alguns “professores” (não da estirpe da professora, muito mais nova, de Niterói, ou melhor, do futuro município de Itacoatiara) que ensinavam, e ainda ensinam, que a vírgula é uma pausa para respirar.

    Daí:

    Vírgula

    Para, velhos, gramáticos,
    pausa, respiratória,
    entremeio, de, asmáticos.

    OPERA, ZÉ!
    Aliás, como ficaria essa nossa campanha sem a vírgula?

  7. Que alivio Zé.
    Quando me separei tentei me aproximar de uma moça intelectual e que tinha no idioma sua matéria prima. Mandei-a um bilhete comprido cheio de amor. E no final um PS: Por favor coloca as vírgulas nas faltas e corte as em excessos.
    Resultado: A “chata” amou. e respondeu:” Uma pessoa que valoriza suas limitações”.Concluo; Pulei fora.As faltas de virgulas me salvaram mas me traumatizaram até hoje. Como ex-asmático e amante convicto, suspiro e nos suspiro não acerto as vírgulas. A tal da crase é de uma inutilidade total e o ponto e vírgula?. Tirando o Braga, ninguém sabe usar. Diz que sabe.

    Algumas dúvidas nesse Rio de Sempre, genial. SAPS na Av. Presidente Vargas? Era na Praça da Bandeira ou existia nos dois? tinha um no Leblon. SAPS de bacana..:

    Também fui parado na descida de Petrópolis pela tropa do Mourão e o pior.fiz graça e dancei.

    Quanto a casa de Machado. Lamento, meia dúzia de neófitos que por lá passaram ou que estão lá, Não inibe seu valor e grandeza.
    Ontem perdi a beleza da mesa redonda em homenagem a minha Lygia F.Telles, de todos os meus amores….

    Selminha quebra meu galho ou alguém desse grupo maravilha. Coloca as vírgulas faltantes e retire as em excessos.
    Quanto li Saramago e no seu livro não tinha vírgula. pensei: fui salvo.
    Zé, gostei muito da sua crônica. Beleza de dar inveja.
    Em tempo: Adoro as reticências. Me metaforiza um amanhã, um novo. fantasio nas minhas reticências.

  8. Paulinho, sou fissurada em reticências. Elas são a dança das entrelinhas. E são nelas que a entrelinhas deitam e rolam. E sonham em ser percebidas..rs…

  9. Como bem disse o André, “a presença ou ausência de uma vírgula em uma frase muda totalmente o seu sentido”.
    Assim, deixo aqui três frases em que a existência (ou não) da vírgula faz toda a diferença. Aos que gostam desse tipo de desafio, bom proveito!

    (A quem quiser brincar, pergunto se as frases a seguir têm ou não vírgula e qual o motivo.)

    1. Uma viagem à Europa uma andorinha só não faz verão.

    2. Enquanto os padres pensam os burros oram.

    3. Um navio entrava no porto outro que sai.

    Saio de fininho…

  10. José, quem corta a conversa toda hora para dizer “pra ser mais exato” está sendo exato: em sua chatice.
    Adorei a crônica, a descrição dos achaques comuns, seu bom humor…

    Bia Eagle Mind, vou aguardar ansiosamente as respostas. Pra ser mais exata: não sossego enquanto naõ souber como fica essa história.

  11. Elizabeth S. Pereira, pior é que eu também não vou sossegar enquanto não publicar as respostas!
    Quem sabe eu possa passá-las à Selminha e ela avalia o melhor momento para postá-las?
    O que você acha, Selminha?

  12. Bia, querida Bia, exímia tradutora, posso acrescentar uma pergunta ao seu desafio?
    A quem pertencem estes fantásticos hai-kais sobre as reticências?

    Interrupta sapiência

    cada ponto sentencia

    além da ciência…

    e/ou

    Trípticos

    pontos críticos

    a linha alinhavam…

  13. Bia, só agora li seu comentário. Esperemos um pouquinho mais. Adoro desafios e cá estou a quebrar a cabeça…

    Beijocas!

  14. Ainda volto aqui. Mas já vou agradecendo demais a delicadeza do “foco” que vocês estão colocando na vírgula para livrar a cara do chato, o verdadeiro sujeito da história.
    Acho que consigo tirar pelo menos oito, no teste da Bia. Pontuaria assim:

    – Uma viagem à Europa, uma andorinha só não faz, verão. (vocês verão – verbo ver)

    – Enquanto os padres pensam os burros, oram. (aqui, “pensam”, seria verbo pensar na acepção de “amarrar”. O padres oram enquanto amarram os burros numa árvore existente do lado de fora do monastério. Vendo daqui de onde estou, parece uma oliveira.)

    – Na de número 3 eu não colocaria vírgula nenhuma: apelas declararia que “entrava”, ali, valeria, para mim, como ver verbo “entravar”. Esta foi fácil, porque ouvi o navio apitar. Vi logo que ele estava entravado.

    -Qual minha nota, fessôra?

  15. NOTA DEZ, Zé!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Ou melhor, nota MIL!
    E um montão de estrelinhas douradas.

  16. Selma,
    confesso que NÃO SEI de quem são os hai-kais.
    Tenho um palpite. Estou com medo de dar o palpite e acertar, na sorte. Acho que fica feio…
    Só uma pegunta:
    – O irmão dele tinha um Jornal?

  17. Na verdade, Zé, o verbo “pensar” aí me parece mais ser “cuidar dos ferimentos” ou “dar ração aos animais”.
    Nesse caso, eles podem “pensar” sem sair do monastério!
    😉

  18. Salva de palmas para ‘meu’ aluninhooooooo!!! Fessôra realizada. E o salário, ó.

    Mas vem cá:

    Enquanto os padres, pensam os burros, oram. (oração intercalada)

    Por que não? 🙂 🙂

  19. Selminha, a sua frase está correta, mas exigiria a existência de uma anterior, que não veio à festa. Por exemplo: “O mundo está cheio de problemas, enquanto os padres, pensam os burros, oram” ou algo assim.

    No caso da frase que eu conhecia, os padres são o sujeito da frase e os burros, o objeto direto. O verbo pensar é transitivo direto e tem o sentido que anotei no comentário anterior (dar penso = cuidar de ferimentos ou dar ração a animais).
    Beijos!

  20. Bia Eagle Mind, então o José matou as charadas?
    Cheguei a pensar assim:

    Uma viagem à Europa, uma andorinha só, não, faz verão.

    Seria ideal um ponto antes do “faz verão” , mas não obrigatório.

    Viajei?

    Bj.

  21. Talvez você tenha feito, sim, uma viagem à Europa, Elizabeth… Esse “verão”, como bem observou o Zé, é do verbo ver: “Uma viagem à Europa, uma andorinha só não faz, verão” (vocês verão).
    É que a gente acaba associando o verão à conhecida frase dque diz que uma andorinha só não faz verão, não é mesmo?
    De qualquer forma, agradeço muito por vocês terem participado da brincadeira.

    E o Zé, que diz só colocar vírgula de “ouvido”, demonstrou ter uma audição impecável, mesmo com a avaria no ouvido esquerdo… “Virgulou” as três na mosca!

  22. Tem razão, Bia, o verbo pensar inclui esse sentido, aliás nada extravagante, de “tratar ferimentos” ou coisas assim. O médico pensou as feridas do acidentado…

    Por acaso, o que me veio à mente, ali, na hora em que procurei uma ordem lógica para as palavras na frase, foi a possibilidade do verbo pensar vir a ser tomado no sentido de “dar cuidado adequado”, tal como em “a mãe pensava seu bebê”… O que também encontra abono nos léxicos.

    Acepção, aliás, não muito diferente da primeira. A do médico.

    A diferença é que na solução que adotei os padres teriam que “sair pra fora” ou “entrar com os burros pra dentro”, se quisessem pensá-los. rsrsrs

    Foi ótimo brincar. Anima o Blog da “Tia” Selma.

    Manda outra.

  23. Em tempo: quanto à avaria no ouvido, ela foi “valorizada” na história. Não passa de um zumbidozinho de nada. Passo 90% do tempo esquecido de que ele existe. Fiz um teste audiométrico e o preju se revelou módico. Só perdi um pouquinho da “sintonia fina”…
    Em nossa idade, isto é ótimo para se fingir que não ouviu coisas que não interessam.

    Meu sogro, velho mineiro dos bons tempos, conheceu bastante o político Pedro Aleixo, uma das raposas felpudas da política mineira. Dizia o velho que Pedro Aleixo de fato não ouvia bem de um dos ouvidos. Jamais disse, porém, de qual deles.
    Com isto dispunha de um trunfo infalível para dizer que “não ouviu” coisas como pedido de emprego, promoção a cargos, solicitação de apoio futuro etc.

  24. Suas histórias são ótimas! Seja no corpo do blog, seja nos comentários. É muito bom ler você. Não perco um texto.

    Agora aguardo brincadeira nova de alguém, enquanto procuro em meus guardados se tenho algo interessante.

    Abraços

  25. para não deixar dúvidas. Fui ao Google e o Google errou; se o Google não sabe vcs querem que eu saiba? hummmmmmmmmmmm

  26. Retorno atrasado para participar da brincadeira (estava numa festa junina com a netinha Manuela).

    O Zé do Carmo, não bastasse a delícia de crônica, com zumbido no ouvido e virgulando de, matou a pau.

    Delícia também, Bia!

  27. Quando Roberto Carlos disse que queria “ter um milhão de amigos”, estava, apenas, desejando ser “igual eu”.
    -Vejam só, ai em cima, quantos amigos tenho. Rabisco umas bobeiras e eles gostam…
    Então eu digo:
    Muito agradecido, meus amigos diletos. Muito agradecido.
    Estou saindo de casa, agora de manhã, para uma fugida fimdesemanal, mas não poderia dar as costas, assim, sem dizer, ao menos, um adeus. Um grande abraço em cada um.
    Perdão por não abraçar um-por-um. Sintam-se abraçados.

    Seria indelicado, muito todavia, não responder à pergunta do Paulinho sobre um imaginário SAPS na Presidente Vargas, que eu acabei construindo, para o meu tempo estudantil de “prato feito”.
    -Não, Paulinho. Não tinha SAPS na Pres. Vargas, não. Eu me referi ao da Praça da Bandeira, que ficava ali onde a Pres. Vargas acabava e começava a Praça da Bandeira.
    Portanto, meu SAPS é aquele mesmo que você conheceu, na Pça. da Bandeira…
    Bons tempos, hem amigo.
    Bons porque passaram… Já pensou a gente comendo no SAPS ainda hoje!?

  28. Zé e amigos, voltei para dizer dos travessões. Não gosto deles para os diálogos, embora saiba que é o correto. Gosto de “conversar” sem “faixas para pedestres”, a menos que o texto implore. Selminha, não sou muito de hai-kai, não, acredita? Nunca me afeiçoei a eles….Zé, eu pensava nisso outro dia: eu conheço MUITA GENTE. Mais “profissionalmente”, eu diria. Eu só tenho um casal de amigos que frequenta a minha casa UMA VEZ ao ano..rs…meus amigos são vocês.

    SáeBenevides, meu passarinho: ODEIO o “gesto de aspas”. É rídiculo, sim! E quando perguntam “se a gente entendeu”? Tenho vontade de dizer que não entendi porque sou idiota…rs…

  29. Parabéns, Gama. Gostei tanto dos hai-kais que os supus de um mestre que não te diminuiria nem um pouco: Millor Fernandes, cujo irmão, Hélio Fernandes, era dono do jornal “Tribuna da Imprensa”, no Rio de Janeiro.

    Nunca me dediquei ao gênero, mas fiz alguns, assim, meio de bobeira. Acho que já falei de um deles para a Selminha.
    Minha mulher, num de seus raros dias de cozinheira, estava terminando de fazer um lagarto-recheado-assado. O cheirinho na cozinha estava tão estonteantemente atraente que eu fiquei por ali arrancando umas tirinhas de carne tostada do lagarto. Minha mulher, o tempo todo tentando me expulsar. Fiz um hai-kai:

    À roda de quem tempera
    o esfomeado
    paquera.

    Sophie, saiba que tenho um enorme orgulho de estar entre seus amigos de todos os dias. Ainda que, apenas, via janela de monitor.

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