Da arte de cobiçar a mulher do próximo

O Decálogo determina que não devemos cobiçar a mulher do próximo. Mas não estabelece qual é, em metros, ou quilômetros, a distância do próximo e da sua mulher. Suponho que, até uns trinta ou quarenta metros, estejam o próximo e sua mulher. A partir daí, a mulher não será mais do próximo, e você pode cobiçá-la.

E se o próximo mudar de casa? Se mudar de vizinhança? Então, você poderá não só cobiçá-la, mas também cortejá-la. Da mulher do distante, você poderá cobiçar à vontade.

Digamos que você é que muda para outro quarteirão. Neste caso, não há impedimento em cobiçar a mulher, seja de quem for.

Talvez seja porque, achando-se distante a mulher, você não pode vê-la, nem amá-la. Ora, você tem pernas, pode andar e aproximar-se da mulher que se acha a quinhentos metros de distância. Esta você pode cobiçar à vontade, que não há mal.

O único mal é que o marido da mulher distante seja feroz e esteja armado.

São questões muito complexas, essas de cobiçar ou não cobiçar a mulher do próximo. Além disso, o mundo se tornou muito pequeno, com os muitos meios de comunicação e tecnologia. Você pode cobiçar a mulher do próximo ou do distante através da internet, do telefone e dos e-mails. Ou através do sedex dos Correios.

Por que não haveria pecado em cobiçar a mulher do distante?

De outra parte, “a galinha do vizinho bota ovo amarelinho”, que são deliciosos.

E se for o próximo que cobice a sua mulher?

Comigo não, violão! Saia para a rua, pegue o próximo pelo colarinho, e lhe dê uns sopapos.

A arte de cobiçar a mulher do próximo tem muitas implicações.

Caso ela adira, vá em frente, mas com muito resguardo.

Como é que você poderia cobiçar uma mulher que more na Inglaterra, achando-se você no Brasil?

Só se for através de fotografias publicadas nas revistas e nos jornais. Ou se ela aparecer na televisão.

Eu, por exemplo, sempre amei Marilyn Monroe, apesar de que ela se manteve muito longe de mim. Assim também amei muitas outras mulheres.

Você até pode amar uma mulher que nunca viu, mas imagina, com as suas fantasias.

Sem dúvida, o próximo é um sujeito muito incômodo. O próximo faz barulho na sua casa, tarde da noite, e me perturba. Briga com a mulher e a espanca. E você, não irá acudi-la e consolá-la? Seria falta de caridade da sua parte.

O Decálogo também dispõe que você deve amar a Deus sobre todas as coisas, e a próximo como a ti mesmo. Não seria então inadequado não amar a mulher do próximo como a ti mesmo?

Você me responderá: amar pode, mas não cobiçar.

Ora, ora, ora…

Ame, meu amigo. Ame tudo, todas e todos, que tudo se resolve.

 Annibal Augusto Gama

11 pensou em “Da arte de cobiçar a mulher do próximo

  1. Mas ele é uma graça…

    Ao ler o texto com a foto da Marilyn balançando – deusa! – nesse tutu de bailarina, imagino como era complicado para seus próximos vizinhos saberem que o pecado mora ao lado e manterem a chamada compostura. Sair de manhã para o trabalho, esposa acenando na porta, esbarrar com a tentação, e dizer “Bom dia, Dona Marilyn, como está?”…rssss…

    Crônica deliciosa.

  2. Mestre Annibal, sentenciou um sábio: “mulher boa é a mulher dos outros, a nossa dá um trabalho danado”. Nos dias de hj, acho q isso vale tb para os maridos, tendo em vista de q atualmente a teoria de q a melhor coisa do casamento é o adultério, virou uma prática altamente utilizada. Aqui entre nós, quem nunca desejou a mulher (ou marido) do próximo, q atire a primeira pedra.rsrsrsrs

  3. – Há tempos não lia um texto tão saboroso quanto este de Aníbal A. Gama. Teorizando sobre a distância em que o próximo – o dono do pedaço – deva estar para deixar de ser próximo e assim livrar o cobiçoso de ofender o preceito bíblico que manda não cobiçar a mulher do dito-cujo, o autor, com muita verve é bom humor irresistíveis, acaba por criar cenários verdadeiramente hilariantes, que provocam boas e benfazejas gargalhadas, numa demonstração de que, para despertar o riso e o bom humor, não é preciso lançar mão de estereótipos grotescos. Basta ser inteligente, espirituoso e íntimo das palavras.

  4. Annibal amado da Fefê, não sei quem disse “a proximidade obriga”…..kkkkkk……
    Vou procurar o autor e volto + tarde pra esse grandiloquente e profícuo tema!!!!!!
    Agora é hora do tronco!!!!!!!! 🙁

    Bjkts, mestre!!!!!!!!!

  5. Isso é que é poder de convencimento e argumentação. Rindo alto aqui.
    Beleza, Annibal.

  6. Irmãos desencaminhados…. derrotem o capeta em nome do Senhor….

    Annibal, meu bom, tô no teu rebanho.

  7. Esse Annibal nos mete em cada enrascada…no final devemos amar , cobiçar ou amarcobiçar ao mesmo tempo…alias , o que significa cobiçar..???? um olhar sedutor, um sorriso com graça. um papo significante, um encostar distraidamente..
    No meu tempo dançar com a vizinha de rosto colado dava tiro….

    Acho que não furtar devia entrar nesse belo texto do mestre…furtar a mulher dos outros bem entendido….

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