Os mercados de Natal

Cheguei de viagem na semana passada e resolvi passar a minha vizinhança em revista. Eis que me deparo com a montagem do tão aguardado Mercado de Natal da Schlosstraβe, a principal rua do comércio do meu bairro. Já não era sem tempo!

Sim, chegou a época do ano em que o frio é bem-vindo (mas só porque ainda é novidade! No final de fevereiro, todo mundo já está querendo sumir!) e combina perfeitamente com o clima natalino que abraça o país. A Alemanha é país de maioria católica e o Natal aqui é comemorado com requinte.

O ponto alto são os Mercados de Natal, uma “instituição” de Norte a Sul do país. E para quem tem sensibilidade olfativa, isso aqui é um convite dos deuses! O ar gélido, que já nos convida a abrir os pulmões, é perfumado por especiarias natalinas. Cravo, canela, gengibre. As amêndoas caramelizadas, crocantes e quentinhas, colorem as vitrines dos stands, juntamente com os doces cristalizados e biscoitos de todos os tipos imagináveis. Sem falar da seção dos empanados e frituras, o terror da minha dieta (alguém falou… dieta?). A gordura quente borbulha à espera dos “Quarckbällchen”, tipo de bolinhos de chuva, feitinhos na hora e passados no açúcar com canela. Os preferidos da criançada.

No quesito chás e bebidinhas, todas as receitas alemãs ganham a sua versão fumegante no inverno. Até a nossa caipirinha, ganhou a versão “Hot Caipi”. Mas o campeão de audiência é mesmo o “Glühwein”, uma espécie, digamos assim, de “Quentão”, mas preparado com vinho tinto e um mix de especiarias natalinas. Sentiram o cheiro daí? Haja coração!

Falando nele, não posso esquecer dos tradicionais corações confeitados, feitos com massa de pão de mel, os ‘Lebenkucken’. São comestíveis, mas também podem servir apenas como decoração de Natal. A dica é comê-los logo frescos, caso contrário, melhor deixá-los pendurados. Certa vez ganhei um do meu sogro e demorei a decidir se comia ou não. Quando finalmente me rendi, estraguei o regalo e os dentes.

No meio da orgia gastronômica, também há stands para todos as procuras. De artesanato e objetos de decoração a roupas e acessórios de inverno. Além das barraquinhas de jogos para as crianças.

Finalmente, um Mercado de Natal que se preze ainda conta com casinhas de madeira, com aquecimento interno para um providencial “pit stop” de descongelamento de nariz, orelhas e mãos. Os mais rústicos oferecem fogueiras. Acho sensacional!

Alguém se anima? Ainda está em tempo! Faltam apenas vinte e cinco dias para o Natal!

Lilian Correia Lima Rapp

Lilian Rapp mora em Berlim.

Depois de nos deixar com água na boca, sugestão musical da Lilinha, já totalmente no clima.

httpv://www.youtube.com/watch?v=O3Z8B_mDMwk

11 ideias sobre “Os mercados de Natal

  1. Natal tem cara de lugares mais frios… Fica tudo tão combinandinho…
    Nunca fiz um boneco de neve, Lilian. Se eu chegar aí faz um comigo e a filhota?
    Beijinhos mil

  2. Natal branco, porém muito colorido, vejam que combinação rara. Muito lindo também. Lilian, entendo que em fevereiro o pessoal esteja querendo sumir, mas como é bom estar bem agasalhadinho curtindo uma lareira (ou calefação mesmo!), não é? Essa das fogueiras nos mercadinhos me encantou. Bom início de Dezembro branco/colorido. Em São Paulo as ruas e casas já estão repletas de luzinhas. Ao menos isso, pois o calor que se avizinha promete ser ‘quentão’ e não faz muito meu gênero. Bjs

  3. Me amarrei no chalé aquecidoooo………. Não precisava + nada…….. Rola um chocolate quente?!!!
    Deve ser gostoso um Natal congelante, fica + aconchegante!!!!!!
    Passagem comprada, Lílian!!!!!!!!!
    Bjkts

  4. Fazer compras de Natal com sensação térmica de 50 graus, como aqui, vamos combinar que não é agradável. Mas adoro os dias que antecedem a festa seja onde for. Sempre gostei de Natal.
    Salivando com esse pão de mel…

  5. Ô Lilian, que provocação, menina!!
    Já provei do vinho quente que você citou. Parece muito com o quentão, mas pelas especiarias bem típicas daí, ele acab ficando com outro toque. É uma delícia!
    Já é Natal, definitivamente.

    Bjim, minha querida.

  6. Lilian, sei que o struddel não é típico de Natal, é para os 365 dias do ano.Mas bem merece um monumento, um poema, uma crônica com a verdadeira receita de sua sogra, concorda comigo? É meu doce preferido e os alemães têm a patente.

  7. Queridos do Bloguetto! Estão todos proibidos de pisarem o pé aqui sem me avisar, combinado? Ainda sonho em os encontrar num mercado de Natal desses, ao som das músicas típicas, um vinho quente na mão, macadamias torradas noutra. Prá Fefê tem chocolate quente, que ainda pode ser batizado com um pingado de rum…
    Matilde! Adorei a idéia do Strudel! Você acertou em cheio! A minha sogra, que atende pelo nome de Waltraud (nome mais alemão, impossível!) é i cozinheira de mão cheia!
    Beijos e boa semana a todos!

  8. Ô Lílian, com água na boca pelas iguarias e pelo seu texto igualmente saboroso!
    E ainda a foto para comer com os olhos!
    De quebrar (ou gastar) os dentes…
    Se não der pra ir, aceitas encomenda?
    Delícia!

  9. Nossa!!! Engraçado. Não conheço a Alemanha e nunca pensei em coloca-la no meu cardápio. Com os textos da Lilian está virando prioridade. Estou conhecendo a Alemanha e seus cotidianos. Esse BAZAR é a minha cara e imagino que deve rolar uma musiquinha ou uma musicona…que coisa..estou morrendo de inveja e o pior inveja de dar água na boca. me vejo de copo na mão, copinho, bebendo aquela branquinha, que não sei nunca escrever o nome “Steine”, e com um bom chopp na outra e dançando…tinha dança nesse BAZAR?

    Gostei do pit stop na casinha de madeira…maravilha

    obrigado Lilian

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