Passa a régua e fecha a conta

É inevitável. Final de ano é tempo de retrospectiva. Época de olhar pra trás e refletir. Fazer uma espécie de balanço geral. E 2014, em especial, foi um ano para se pensar. Bem que me senti indo do céu à terra algumas vezes. Sensação de montanha-russa. Ano turbulento.

Os astrólogos, adivinhadores, pais de santo, espíritas e sensitivos de todo gênero, já haviam alertado que não ia ser nada fácil. E a profecia se concretizou.

No Brasil, começamos o ano com o povo inflamado, revoltado, nas ruas. No ar, misturado aos gritos de protesto, havia a esperança de mudança. No entanto, o povo brasileiro tem déficit de atenção e rapidamente o tratamento foi providenciado. As pílulas de ritalina vieram em formato de Copa do Mundo. Como competir com a paixão nacional?

A festa da Copa foi bonita, mas não justificou o montante gasto. Pior, para atender ao padrão FIFA, excluiu o povão apaixonado pelo esporte. Os jogos foram curtidos à distância, nos telões, nas ruas, como se a Copa fosse no Japão. Mas tragédia mesmo foi perder de sete em casa. Desastre histórico.

Holofotes de novo na política nacional. Escândalos brotando do esgoto, presidenciável morto em acidente de avião, alianças reorganizadas, sujeira e números escondidos pra debaixo do tapete. Retomamos os protestos? Não. A mesma trupe que meses antes era julgada em praça pública foi reeleita. Desânimo.

Guerra no Oriente Médio, Ucrânia. Avião desaparecido, avião abatido. Mina de carvão explode na Turquia; meninas raptadas por terroristas na Nigéria. A epidemia de ebola é considerada emergência internacional. A AIDS volta às manchetes no Brasil. Falta d’água em São Paulo. Índices de pobreza, trabalho escravo, desnutrição infantil e analfabetismo subindo em progressão geométrica. Ou nunca desceu tanto como noticiado?

Começamos a nos questionar sobre a imparcialidade da imprensa brasileira. Censura velada. Retrocesso.

No meio de tudo isso, 2014 também golpeou baixo a literatura brasileira. Ariano Suassuna, João Ubaldo Ribeiro, Rubem Alves… Perdas irreparáveis.

Comecei a ficar preocupada com o baixo astral do texto e fui fazer uma rápida pesquisa na internet, na tentativa de encontrar algum fato interessante, algo positivo ocorrido em 2014. Afinal, não pode ter sido tão ruim assim! Não achei nada interessante que valesse a pena comentar. Corrijam-me se estiver errada.

Mas ainda havia esperança na minha “to do list” de 2014. Explico! No início de cada ano, imbuída do espírito de renovação e novidades, faço uma lista com metas pessoais e profissionais a serem atingidas. Escondo o envelope e esqueço dele por 12 meses. Em dezembro abro a lista e faço meu balanço pessoal. Fico feliz com as minhas conquistas, rio do que deixou de ser importante no meio do caminho, e anoto para o ano seguinte o que não foi cumprido (emagrecer, por exemplo, está na lista há mais de 10 anos).

Acabo de abrir a minha listinha e quase caí pra trás. Deu tudo errado, foi tudo postergado. Ficou tudo emperrado!

E agora, pra fechar com chave de ouro, no finalzinho do ano, meu time do coração ainda me faz o favor de ser rebaixado para a segunda divisão! Céus!

Vai embora, 2014, mas de fininho, que é pra não chamar mais a atenção.

Nos vemos em 2015, Bloghetto! Com a mesma esperança tola, mas vital de que dias melhores virão!

Lilian Correia Lima Rapp

Lilian Rapp mora em Berlim.

7 ideias sobre “Passa a régua e fecha a conta

  1. Ótima retrospectiva, menina! Sem tirar nem pôr!
    Sugestão para a sua cartinha de metas: insira cinco itens que você obviamente atingirá. Quando for conferir, passou de ano com boa média.

    Bjim

  2. É, Lilian, não costumo reclamar, mas este ano é para passar a borracha. Nem tanto em termos pessoais, mas de forma ampla, geral e irrestrita, 2+0+1+4, noves fora nada. Xô.

  3. Ah!, faltou dizer do simbolismo da foto! Já se carrega as bolas de fim de festa, mas o olhar está no horizonte. Linda!

  4. No meu balanço positivo do ano tem vc, o alemão q/ vc me ensinou e a certeza q/ meu quartinho aí nos fundos já até tá decoradooooo!!!!!!

    Adorei o balancete!!!!! Todos salvos!!!!!!

    Bjkts

  5. Pessoal, acabo de me dar conta que cometi uma falha terrível. Lendo o comentário da Fefê, percebi que o evento mais marcante e iluminado da minha vida em 2014 não foi mencionado no texto… O Bloguetto! Selminha, como pode? Sim, 2014 acabou de se redimir! Agora sim! Passa a régua e fecha a conta!

    PS: Fefê, já arrumei a sua cama, chegas quando?

  6. Amiga lilian

    Se alguma coisa boa aconteceu em 2014 foi conhecê-la. Mas outras também aconteceram e em todos os anos das nossas vidas são assim. O ffeio e o bonito se entrelaçam.

    nada pode nos abater: a tristeza existe, o feio existe, mas existe o bonito. Tenha certeza e embarco na minha materialidade espiritual…viajando de mãos dadas para ver um sol que nasce e que acende um anoitecer .e se existem noites com estrelas luas, e namorados, existem relâmpagos, trovoadas, que assustam mas não nos afugenta.

    A vida não tem retrospectiva , tem histórias.

    Concluo: 2015 soma 8, número dos anéis, alianças. Do infinito na vertical. Do (oito) que junta zeros, E se as maravilhas do mundo” eram” sete é por que a oitava somos nós, que as contamos….o oito é oito em qualquer posição.

    Que venha 2015…

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