‘Vocês querem bacalhau?’ (Chacrinha, o visionário)

Carlos Prazeres, 41 anos, carioca, em Salvador desde 2011, quando assumiu a regência da Orquestra Sinfônica da Bahia, conta que passou “a se conectar mais fortemente com a sociedade” ao realizar concertos com marchinhas de carnaval e músicas de cinema. Num desses eventos, chegou a sugerir que os músicos se fantasiassem de personagens famosos – ele foi de Clark Kent -, e quando os trompetes atacaram o tema do filme, ele tirou o paletó, jogou os óculos para o público e regeu com a blusa da fantasia.

Conclui sua entrevista a O Globo afirmando que, “se apenas 5% da plateia têm acesso completo e relação mais sentimental com obras clássicas, para que fazer um concerto tradicional, onde fingimos que a plateia entende, e a plateia finge que nós acreditamos que ela entende, e tudo não passa de um jogo de fingimento?”.

Se bem captei, definitivamente o Brasil fez uma opção pela mediocridade, fruto de um populismo pernicioso e sem volta. Não seria melhor, ao invés do circo, aprimorar o pão, cuidar da Educação e da Cultura Musical, nas escolas, desde a mais tenra idade?

5 ideias sobre “‘Vocês querem bacalhau?’ (Chacrinha, o visionário)

  1. A intenção do maestro de atrair o público e mostrar que orquestra clássica não é bicho de sete cabeças pode até ter algum mérito. Mas a conclusão dele foi infeliz e deixou dúbia sua intenção. Ficou parecendo que ele prefere o bacalhau”…
    Não curti.

  2. Plenamente de acordo com sua observação. País sem cultura clássica, sem o hábito de vibrar com algo mais que não axé, pagode e sertanejos. Aí uma Sinfônica entra no jogo fácil, é isso?

  3. Uma sinfônica pra tocar “olha a cabeleira do zezé” só pq o povo não entende os clássicos….. é de choraaar!!!!!!

  4. – Concordo inteiramente com a opinião sensata expressada pela Selma no seu post. Com razão, ela condena a opção pela mediocridade intrinsecamente sugerida pelo maestro Carlos Prazeres, usando argumento de fundo elitista e preconceituoso, aliás, bem ao estilo terceiro-mundista de nivelar por baixo a cultura da população a pretexto de dar-lhe alcance maior. Tal argumento dá margem à interpretações de que o músico seria partidário de se desistir de incentivar o aprimoramento cultural de grande parte da população, certamente por acreditar que esta seria incapaz de alcançar o necessário grau de refinamento para descobrir a beleza de obras musicais clássicas. Portanto, como sugere Selma, em lugar da tese sem primícias sociológicas do maestro, que se promovam, pelas entidades responsáveis pela Educação e pela Cultura do país, programas capazes de despertar, ainda na infância do(a) futuro(a) cidadão(ã), o interesse pelas artes nas suas expressões mais nobres e cultas.

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